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A arte de divagar

Um blog como qualquer outro, sem nada a acrescentar, escrito por alguém que pensa que as suas opiniões dizem alguma coisa ao mundo.

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19.Mar.19

O estranho mundo dos créditos

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Há uma coisa que há uns anos me está na mente e em que nunca deixei de acreditar: o dinheiro é de todos e não é de ninguém.

 

Estou neste momento à espera de resposta relativamente a um crédito que me vai permitir finalmente atingir aquele auge de quem está a chegar aos 30 e que é ter uma casa. Não comprar casa, mas antes construir no terreno dos meus pais e matar 2 coelhos de uma vez (ainda posso dizer isto?): eu quero conseguir ter uma casa sem abdicar de 60% para a renda; os meus pais queriam uma casa em piso terreo para quando fossem mais velhinhos e não lhes apetecesse subir escadas.

 

Ficamos todos a ganhar!

 

Eu, porque consigo uma "renda" bem inferior aos valores que estão a ser praticados hoje e que são uma afronta aos rendimentos da grande maioria das famílias portuguesa, e também porque sei que eventualmente a casa fica paga. Ah! E porque consigo finalmente um lar para mim e para a minha namorada.

 

Os meus pais, porque passam a não suportar os encargos da obra que tinham em vista para daqui a uns anos.

 

Tudo sem abdicar, também, do atual conforto que temos neste momento.

 

Mas o que realmente dá dores de cabeça no meio disto tudo nem são as marteladas em si (passo a expressão) das obras; é o crédito.

 

Fiz muita pesquisa antes de sequer me meter nestes trabalhos e também aprendi bastante com algumas simulações que fui tirando aqui e ali. As simulações online (façam-nas sempre nos canais oficiais dos bancos, porque não faltam simuladores) não são as que melhores condições irão proporcionar, mas são uma ótima forma de começar a aprender um pouco sobre os créditos. As negociações a sério devem sempre ser negociadas com um gestor do banco.

 

Por exemplo, diferentes tipos de crédito têm diferentes tipos de taxas. Inicialmente, quando procurava soluções para as obras, fazia-o para créditos pessoais. Com as taxas enormes que têm! Depois, quando falei aos meus pais sobre o projecto que tinha em mente, sugeriram-me um tipo de crédito diferente, com muito melhores condições.

 

Há créditos para obras, créditos para habitação, créditos para o que se quiser e créditos para coisa nenhuma.

 

A quantidade de créditos é mesmo absurda! Não admira que haja muita gente a dever dinheiro e que acredita piamente que fazer um novo crédito é a solução! Mas não somos todos o Berardo nem nenhuma figura pública para isso resultar.

 

Acabamos por ver um banco que nos dava melhores condições a todos os níveis. Fizeram a proposta, aceitamos, reunimos a papelada (não há outra forma de classificar a quantidade de papel gasto para estas coisas num mundo cada vez mais virtual) e cá estamos à espera.

 

A próxima fase é aguardar entre 10-20 dias para o banco dizer sim ou sopas; a próxima é nós aceitarmos os termos que nos põem à frente (mais uma vez) e pagarmos ao banco uma pipa de massa por nos estar a dar o privilégio de ter momentanemanete uns bons milhares de euros na conta.

 

No meio disto disto, não chegamos a ver a cor das notas (será que seriam notas de 50€? Ou teríamos tudo em notas de 20€ como grande parte dos empresários?); não chegamos a cheirar as notas (não façam isso); não chegamos sequer a pegar nelas. O dinheiro entra na conta para quase logo sair e já é de outra pessoa. O próprio banco faz-nos, por minutos, acreditar que aqueles 10.000, 20.000 ou 100.000€ são nossos para, quase no minuto seguinte, nos tirar uns 5.000€ só em custos de despesas para fazer o crédito. E depois? Depois tem que se pagar ao empreiteiro, à imobiliária, à empresa de transporte de material/mobília e, do lado deles, o dinheiro está disponível durante mais uns minutos.

 

Certo é que todos nos vamos rindo de quem vive bem com simoleons, bitcoins e coisas que tal, mas os euros não são muito diferentes. Não são nossos e vivemos bem com isso.

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